Santa Maria: Justiça nega liberdade de envolvidos

06/02/2013 13:23

Rio Grande do Sul -  A Justiça do Rio Grande do Sul negou nesta quarta-feira os pedidos de revogação de prisão dos envolvidos no incêndio da boate Kiss, na cidade de Santa Maria. O acidente deixou 238 pessoas mortas. A prisão temporária foi decretada na última sexta-feira. Todos os presos estão em celas individuais e com o máximo de segurança, segundo o Tribunal de Justiça.

Ao indeferir o pedido, o juiz Ulysses Fonseca Louzada considerou que a manutenção da prisão temporária é necessária para que a polícia continue a investigação para apontar os responsáveis pela tragédia. Segundo o juiz, a presença do empresário na cidade é importante, já que a polícia ainda deverá fazer acareações e reconstituições do acidente.

Spohr estava internado no Hospital de Cruz Alta e já foi transferido para a Penitenciária Estadual de Santa Maria, onde se encontram detidos o empresário Mauro Hoffmann e de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão.

Morte de jovem aumenta número de mortos

Um jovem morreu por volta das 13h desta terça-feira na Santa Casa de Misericórdia dePorto Alegre em consequência do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS). O número de mortes na tragédia passou a ser de 238. A unidade de saúde confirmou a morte. O nome do jovem não divulgado a pedido da família. Com a morte de mais uma vítima hospitalizada, já são quatro nesta condição. Pelo último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, 85 pessoas feridas no incêndio permanecem hospitalizados. De acordo com o boletim do órgão, o número de pacientes que respiram com ajuda de aparelhos caiu de 35 para 28.

Além disso, a Secretaria Nacional de Defesa Civil reconheceu nesta terça-feira situação de emergência no município de Santa Maria. O decreto publicado no Diário Oficial da União pode significar a dispensa de licitação para a compra de alguns produtos ou a contratação de serviços emergenciais.

Dono da boate Kiss diz que não sabe o que falar para os pais que perderam seus filhos durante incêndio em sua boate | Foto: Reprodução Internet

Declarações contraditórias

Em entrevista exclusiva para o "Fantástico", exibido na noite de domingo, Kiko deu alguns depoimentos conflitantes. Ele disse que não sabia que a banda Gurizada Fandangueira fazia apresentações com artefatos de pirotecnia e que nenhuma performance com esse tipo de objeto estava autorizada na casa noturna. O produtor da banda, Luciano Bonilha, negou que Spohr não soubesse das apresentações.

Sobre as falhas nos mecanismos de prevenção de incêndio, Kiko disse que as reformas foram feitas para a melhoria do ambiente, já que a vizinhança reclamava constantemente do barulho. Ele alegou que o engenheiro Miguel Ângelo Pedroso, responsável pelas obras na Kiss, indicou o uso de espuma para o isolamento acústico. A afirmação foi negada pelo engenheiro. Em lágrimas, Kiko disse que não sabe como será sua vida nos próximos dias e que não sabe o que dizer aos pais que perderam seus filhos na casa noturna durante o incêndio. "O sonho acabou", lamentou.