Partido de Marina Silva promete ser uma “legenda pura”

17/02/2013 17:09

Estatuto do Rede Sustentabilidade proíbe filiação de político ficha suja e doações das indústrias de armamentos, alcoólica e tabaco, mas admite que poderá fazer alianças

O novo partido fundado pela ex-senadora Marina Silva, cujo nome será Rede Sustentabilidade, nasce com a promessa de se tornar a primeira “legenda pura” entre as existentes no Brasil. Os articuladores do partido dizem que a ideia é partir de um novo paradigma em que as articulações políticas não tomem como base a troca de cargos ou favores. 
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Apesar de já surgir com medidas moralizadoras, a direção do novo partido afirma que não é “nem esquerda”, “nem direta” e admitiu fazer alianças com as chamadas legendas tradicionais, dependendo “do projeto político de cada candidato”. “Se um candidato tiver um projeto semelhante ao nosso, receberá o nosso apoio”, afirmou Marina Silva.

Na constituição do partido, cujo primeiro estatuto foi aprovado neste sábado durante o lançamento oficial da legenda, foi aprovado que nenhum político “ficha suja” integrará seus quadros. A exceção fica por conta de ativistas sociais eventualmente condenados em segunda instância. A lei da ficha limpa proíbe a candidatura de qualquer pessoa que tenha condenação judicial em órgão colegiado.

A nova legenda também não vai aceitar doações que venham das indústrias de armamentos, alcoólica e de tabaco, de grandes agropecuários, entre outras. Outra medida considerada moralizadora é a inclusão no estatuto de conselhos sociais que vão fiscalizar a legenda. A captação de recursos via grandes empresas foi vetada e os integrantes do Rede Sustentabilidade arcarão as despesas do partido com doações que vão variar de R$ 10 a R$ 90 por mês.

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Existirá também um teto de captação de recursos que vai variar de acordo com cada tipo de candidatura (para deputado federal, por exemplo, o valor será inferior que para presidente da república). Esses tetos somente serão definidos durante o início do processo eleitoral, em executivas nacionais da legenda.

O evento de lançamento do partido foi uma espécie de teste desse modelo. A festa custou aproximadamente R$ 150 mil, pagos pelos seus 250 membros. O valor é semelhante ao que foi gasto na recepção ao novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Mas a festa pró-Barbosa foi capitaneada por entidades de classes como a Associação dos Magistrados Brasileiros (MAB), por exemplo.

Segundo Marina Silva, a ideia de se criar um novo partido é uma “quebra de paradigma”. “Estamos em um processo de desconstrução do monopólio que o partido tem da política”, afirmou Marina. Os fundadores da legenda dizem que 90% dos políticos que procuram abrigo no Rede buscam voltar a exercer política de base e comunitária.

Ao contrário do que se imaginava no início, a nova legenda não é classificada pelos seus membros como uma dissidência do PV, embora toque em questões semelhantes como sustentabilidade e preservação ambiental. Seus líderes afirmam que a formalização do Rede visa a uma discussão que vai além do meio ambiente.

Já existem membros do PV, do PT, do PSDB, do PPS e do PDT interessados em integrar o novo partido. “Estamos alertando a todos que buscam a Rede que antes de pensar em disputar eleições, queremos implementar um novo modelo de fazer política”, defendeu o deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), que integrará o novo partido. “Nós não estamos capitaneando pessoas, todas que estão no partido, nos procuraram”, disse Marina Silva.

No estatuto também estão previstas outras medidas polêmicas como a proibição de um parlamentar concorrer uma eleição após 16 anos de mandato e a exigência de um deputado federal renunciar seu mandato caso ele seja convocado a exercer cargos no poder executivo.

O partido nasce com representantes fortes em pelo menos cinco estados Brasileiros: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas e Maranhão. A intenção é aumentar essa rede e nos próximos três meses conseguir as 500 mil assinaturas necessárias para a obtenção do registro junto à Justiça Eleitoral. O partido precisa passar por todo o processo de formalização até setembro para disputar as eleições de 2014. A própria Marina Silva admite que pode ser candidata a presidenta da república pela nova legenda.

Fonte: Wilson Lima - iG Brasília